| Educação |
| Campanha Nacional pelo Direito à Educação |
| Qui, 18 de Agosto de 2011 12:14 |
Cálculo dos investimentos adicionais necessários para o novo PNE garantir um padrão mínimo de qualidade
Para tanto, o percurso utilizado parte de um breve trecho em que é apresentado o contexto no qual este exercício é empreendido (tópico 2), passa por uma rápida sistematização das críticas mais correntes da comunidade educacional às notas explicativas e à planilha de custos do MEC (tópico 3), justifica e apresenta a memória de cálculo para a universalização de um padrão mínimo de qualidade na educação pública, aferindo a demanda por educação para a próxima década (tópico 4) e, por fim, compara os resultados encontrados por este exercício com os números apresentados pelo MEC (tópico 5). A conclusão é que o investimento de 7% do PIB em educação pública colaborará de maneira precária com a expansão da oferta educacional. Além disso, será insuficiente para a consagração de um padrão 2 mínimo de qualidade na educação. Em outras palavras, caso o Projeto de Lei (PL) 8035/2010 não sofra mudanças no Congresso Nacional, o Brasil insistirá – por mais uma década – na incorreta dissociação entre acesso e qualidade, ambos os elementos fundamentais para a garantia plena do direito à educação. |
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
POR QUE 7% DO PIB PARA A EDUCAÇÃO É POUCO?
terça-feira, 23 de agosto de 2011
As músicas do ano em que você nasceu.
Se você é curioso e quer ouvir e saber quais as músicas que tocavam no rádio quando você nasceu, clique no ano do teu nascimento e curta 21 músicas do ano. Chame sua família, suas amigas e amigos para curtirem juntos. É um barato.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
66 anos da bomba atômica sobre Nagasaki
Hiroshima e NagasakiTóquio, 9 ago. (Prensa Latina) - Os japoneses recordaram nesta terça-feira 66 anos da explosão atômica que devastou a cidade de Nagasaki, três dias após a destruição de Hiroshima também por uma bomba desse tipo.
A ordem emitida pelo presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, foi executada apesar do Japão já não responder militarmente e estar sofrendo o bombardeio chamado convencional e sistemático sobre outras 67 cidades.
Em ato solene foi feito um momento de silêncio às 11h02 da manhã, instante da terrível explosão que causou a morte de 80 mil pessoas em Nagasaki e 140 mil em Hiroshima.
O prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, em breves palavras, perguntou à multidão: "por que esta nação que tem lutado durante tanto tempo pelas vítimas da bomba, uma vez mais vive com temor à radiação?"
Foi uma clara alusão à crise nuclear provocada pelo terremoto e posterior tsunami do dia 11 de março, que arrasou com a central nuclear de Fukushima, a qual ainda lança ao mar e às terras circundantes uma contínua e virtualmente incontrolável contaminação radioativa.
"Chegou o momento de falar profundamente sobre que tipo de sociedade queremos e tomar uma decisão", acrescentou.
Meios de comunicação, organizações sociais e ambientais desenvolveram durante estes meses passeatas de protesto ante a crescente contaminação, a qual abarca terrenos cultivados e inclusive a carne bovina proveniente das regiões afetadas.
O governo do premiê Naoto Kan é seriamente questionado pelas decisões tomadas a respeito e sua renúncia é respaldada por 65 por cento da população, segundo recente pesquisa.
Numerosos meios de comunicação destacaram o fúnebre aniversário e fizeram-se eco das palavras do prefeito Taue.
Mal-estar na periferia. "É o começo", avalia escritor...
O escritor Hanif Kureishi, conhecedor do mal-estar das periferias, afirma: "Este é só o começo. Agora, a revolta irá contagiar toda a Europa".
"Esses tumultos nada mais são do que o início de uma temporada de revoltas que irá durar anos e irá contagiar o resto da Europa": palavras de Hanif Kureishi. E é preciso ouvi-lo, porque ele, nascido de pai paquistanês e de mãe inglesa, escritor e dramaturgo britânico entre os mais lidos na Itália, conhece bem o mal-estar que se esconde por trás das violências que explodiram em vários bairros desfavorecidos de Londres.
Ele não ambientou só nos subúrbios pobres e multiétnicos da capital alguns dos seus romances mais célebres, começando pelo Budda delle periferie (Ed. Bompiani). Mas o bairro onde ele vive com sua família, o Shepherd's Bush, em West London, também não é tão diferente do de Tottenham, epicentro das guerrilhas urbanas.
"Há áreas onde muitíssimos jovens andam armados e fazem uso de drogas. Os de 30 anos nunca trabalharam e nunca vão trabalhar, cidadãos britânicos e não imigrantes, que, em geral, são párias de um sistema econômico do qual jamais conseguirão fazer parte" .
Eis a entrevista.
As desordens "não têm nada a ver com a morte do jovem", assassinado pela polícia, como defende o vice-primeiro-ministro Clegg?
Elas brotam de um mal-estar com raízes principalmente econômicas. Não por acaso a raiva foi lançada sobretudo contra as lojas, símbolo do acesso ao bem-estar que lhes é negado.
A partir de quais fatores?
A crise econômica de 2008 atingiu os pobres mais duramente. E os habitantes desses bairros nada mais são do que os mais pobres da sociedade. Eles não pertencem à classe média: jamais se tornarão médicos ou professores. Para muitos, o principal passatempo é o crime; no máximo o rap. Vivem em áreas onde o desemprego está entre os mais altos do país. Além disso, com a consciência de que a sua condição irá se agravar ainda mais nos próximos cinco anos. Era previsível que um pretexto qualquer faria a situação explodir.
Por que precisamente agora? As medidas de austeridade aprovadas pelo governo Cameron estão sendo sentidas?
Certamente, os cortes reduziram os subsídios do desemprego, os centros juvenis e outros serviços sociais. E o desconforto só aumenta.
Como o governo irá controlar isso?
São necessários investimentos, dinheiro, que o governo não tem. Assim como Itália, Grécia, Espanha não têm. Por isso, acho que estamos só no início de um período de forte instabilidade social.
O que une essas revoltas com as de 1985? Naquele tempo, também estouraram durante um período de forte austeridade.
Assim como hoje, os Tory [conservadores] estavam no poder, o desemprego era alto, e a criminalidade generalizada.
Contra a qual o Estado fez muito pouco.
Houve investimentos e progressos, sobretudo com Blair. Mas também é preciso que as comunidades façam a sua parte, erradicando a cultura do fracasso presente. Mas agora é impossível: as pessoas já não têm mais esperança.
[A reportagem é de Valeria Fraschetti, publicada no jornal La Repubblica, 09-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.]
"Esses tumultos nada mais são do que o início de uma temporada de revoltas que irá durar anos e irá contagiar o resto da Europa": palavras de Hanif Kureishi. E é preciso ouvi-lo, porque ele, nascido de pai paquistanês e de mãe inglesa, escritor e dramaturgo britânico entre os mais lidos na Itália, conhece bem o mal-estar que se esconde por trás das violências que explodiram em vários bairros desfavorecidos de Londres.
Ele não ambientou só nos subúrbios pobres e multiétnicos da capital alguns dos seus romances mais célebres, começando pelo Budda delle periferie (Ed. Bompiani). Mas o bairro onde ele vive com sua família, o Shepherd's Bush, em West London, também não é tão diferente do de Tottenham, epicentro das guerrilhas urbanas.
"Há áreas onde muitíssimos jovens andam armados e fazem uso de drogas. Os de 30 anos nunca trabalharam e nunca vão trabalhar, cidadãos britânicos e não imigrantes, que, em geral, são párias de um sistema econômico do qual jamais conseguirão fazer parte" .
Eis a entrevista.
As desordens "não têm nada a ver com a morte do jovem", assassinado pela polícia, como defende o vice-primeiro-ministro Clegg?
Elas brotam de um mal-estar com raízes principalmente econômicas. Não por acaso a raiva foi lançada sobretudo contra as lojas, símbolo do acesso ao bem-estar que lhes é negado.
A partir de quais fatores?
A crise econômica de 2008 atingiu os pobres mais duramente. E os habitantes desses bairros nada mais são do que os mais pobres da sociedade. Eles não pertencem à classe média: jamais se tornarão médicos ou professores. Para muitos, o principal passatempo é o crime; no máximo o rap. Vivem em áreas onde o desemprego está entre os mais altos do país. Além disso, com a consciência de que a sua condição irá se agravar ainda mais nos próximos cinco anos. Era previsível que um pretexto qualquer faria a situação explodir.
Por que precisamente agora? As medidas de austeridade aprovadas pelo governo Cameron estão sendo sentidas?
Certamente, os cortes reduziram os subsídios do desemprego, os centros juvenis e outros serviços sociais. E o desconforto só aumenta.
Como o governo irá controlar isso?
São necessários investimentos, dinheiro, que o governo não tem. Assim como Itália, Grécia, Espanha não têm. Por isso, acho que estamos só no início de um período de forte instabilidade social.
O que une essas revoltas com as de 1985? Naquele tempo, também estouraram durante um período de forte austeridade.
Assim como hoje, os Tory [conservadores] estavam no poder, o desemprego era alto, e a criminalidade generalizada.
Contra a qual o Estado fez muito pouco.
Houve investimentos e progressos, sobretudo com Blair. Mas também é preciso que as comunidades façam a sua parte, erradicando a cultura do fracasso presente. Mas agora é impossível: as pessoas já não têm mais esperança.
[A reportagem é de Valeria Fraschetti, publicada no jornal La Repubblica, 09-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.]
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
MANIFESTO DE TONHO CROCCO
Manifesto contra a censura e pela liberdade de expressão
Porto Alegre, 02 de agosto de 2011
Eu, Antonio Carlos Crocco, nome artístico Tonho Crocco, Brasileiro e morador da cidade de Porto Alegre/RS estou sendo processado por intermédio de uma ação no Ministério Público encaminhada em nome do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e atual Deputado Federal do PDT GIOVANI CHERINI por crimes contra a HONRA.
A audiência preliminar acontece no dia 22 de agosto de 2011, segunda-feira às 15h no Foro Central de Porto Alegre/RS.
Explicando a situação:
No dia 21 de dezembro de 2010, 36 deputados estaduais votaram a favor do aumento de 73% de seus próprios salários.
O substituto do Projeto de Lei 352/2010, elevou o salário dos parlamentares de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34.
Em menos de 24h consegui compor e gravar o vídeo protesto "Gangue da Matriz" que já recebeu mais de 37 mil visualizações no Youtube e está a disposição para download no www.tonhocrocco.com
Para quem não viu, aqui o link
http://www.youtube.com/watch?v=SukPLNWgY7M
A assembléia, representada na época pelo Deputado GIOVANI CHERINI encaminhou ao Ministério Público representação de ilicitude, pedindo providências, na qual fui intimado e indiciado por CRIMES CONTRA A HONRA.
O artigo 138, 139 e 140 do código penal prevê pena de 1 mês a 2 anos de detenção.
Não seria esta ação uma forma de censura à liberdade de expressão?
Não estaria o excelentíssimo Deputado ou a quem ele representou agindo de forma truculenta?
Estaríamos retrocedendo aos tempos da ditadura?
Será mesmo que estamos numa democracia?
Meu verdadeiro temor é que se abra um precedente coibindo as manifestação políticas; principalmente aquelas que usam de vias pacíficas e da ARTE como forma de expressão.
Gostaria de contar com o apoio e mobilização dos que concordam com esta filosofia. Não apenas a classe artística e sim de todas pessoas que compartilham esta visão.
Repasse e divulgue este manifesto.
Envie sua mensagem para contato@tonhocrocco.com ou www.twitter.com/tonhocrocco que divulgaremos no site e em todas as redes sociais.
Porto Alegre, 02 de agosto de 2011
Eu, Antonio Carlos Crocco, nome artístico Tonho Crocco, Brasileiro e morador da cidade de Porto Alegre/RS estou sendo processado por intermédio de uma ação no Ministério Público encaminhada em nome do ex-presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul e atual Deputado Federal do PDT GIOVANI CHERINI por crimes contra a HONRA.
A audiência preliminar acontece no dia 22 de agosto de 2011, segunda-feira às 15h no Foro Central de Porto Alegre/RS.
Explicando a situação:
No dia 21 de dezembro de 2010, 36 deputados estaduais votaram a favor do aumento de 73% de seus próprios salários.
O substituto do Projeto de Lei 352/2010, elevou o salário dos parlamentares de R$ 11.564,76 para R$ 20.042,34.
Em menos de 24h consegui compor e gravar o vídeo protesto "Gangue da Matriz" que já recebeu mais de 37 mil visualizações no Youtube e está a disposição para download no www.tonhocrocco.com
Para quem não viu, aqui o link
http://www.youtube.com/watch?v=SukPLNWgY7M
A assembléia, representada na época pelo Deputado GIOVANI CHERINI encaminhou ao Ministério Público representação de ilicitude, pedindo providências, na qual fui intimado e indiciado por CRIMES CONTRA A HONRA.
O artigo 138, 139 e 140 do código penal prevê pena de 1 mês a 2 anos de detenção.
Não seria esta ação uma forma de censura à liberdade de expressão?
Não estaria o excelentíssimo Deputado ou a quem ele representou agindo de forma truculenta?
Estaríamos retrocedendo aos tempos da ditadura?
Será mesmo que estamos numa democracia?
Meu verdadeiro temor é que se abra um precedente coibindo as manifestação políticas; principalmente aquelas que usam de vias pacíficas e da ARTE como forma de expressão.
Gostaria de contar com o apoio e mobilização dos que concordam com esta filosofia. Não apenas a classe artística e sim de todas pessoas que compartilham esta visão.
Repasse e divulgue este manifesto.
Envie sua mensagem para contato@tonhocrocco.com ou www.twitter.com/tonhocrocco que divulgaremos no site e em todas as redes sociais.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
A arte perdeu...
A arte perdeu Amy Winehouse
CAMILA LISBOA, DE SÃO PAULO (SP)
• Quando nos referimos ao lixo cultural que a decadência do capitalismo tem produzido, estamos falando do que não é arte. Falamos de algo produzido às pressas, sem personalidade, sob o ritmo louco do mercado, sem critério de criação, sem expressão real de nenhum sentimento, pensamento ou qualquer coisa. Sob essa lógica, buscam-se padrões estéticos, sem muitas exigências artísticas. 25 a 30 shows por mês, ‘Domingão do Faustão’ e pronto. Fez-se um “artista”, ou um “fenômeno”.
Olheiros, empresários e gravadoras vivem atrás dos potenciais “fenômenos”, com o fim permanente da sociedade capitalista: lucrar, lucrar e lucrar.
Fazer boa música, produzir arte, compor, escrever, tocar e cantar sob o critério da arte é uma arte e tanto. E foi com isso que Amy Winehouse surpreendeu. Apesar de branca, suas raízes na música negra, influenciada pela família de cantores de jazz (avó, tios e pai) trouxeram ao mundo uma capacidade artística incrível, que revigorou a história do jazz e do R&M (Rythm and Blues, gênero musical nascido junto com o jazz nos anos 50).
A história social do jazz expressa resistência e um movimento artístico e cultural que impunha, junto aos movimentos políticos e sociais da época, uma nova correlação de forças na luta contra o racismo. Isso é claro como expressão de um tempo, não necessariamente por letras militantes.
Amy Winehouse expressava rebeldia em suas letras não porque se recusasse a ir para reabilitação – e diga-se de passagem, a interpretação que se divulgou dessa letra não tem nada a ver com o que ela queria dizer. Amy Winehouse foi rebelde porque fazia arte verdadeira, com entrega. O amor não lhe era um sentimento bonito, como nos contos de fada, mas um sentimento de dor, de massacre, de automutilação. É muito rebelde falar do amor assim. Para Amy, o amor é dor porque se humilha e “chora no chão da cozinha”, sem se importar em expressar mais amor do que o correspondido.
O sentimentalismo exagerado e uma visão melancólica e egocêntrica do mundo. Essa era Amy, que com certeza poderia estar acompanhada de outros poetas da 2° geração romântica, a geração spleen (termo através do qual ficou conhecida esta geração, pois ele significa tédio, que expressa melancolia, pessimismo). Mas a Amy era de hoje.
É claro que tudo no capitalismo vira mercadoria, os artistas, as noticias sobre os artistas, as fotos dos artistas, qualquer coisa. O perfil mercadológico de Amy Winehouse foi construído sob essa impressão meio rebelde, mas a abordagem mercadológica associou sua rebeldia ao uso excessivo de drogas e álcool. E ao se falar de Amy Winehouse, se fala automaticamente de sua relação com as drogas e álcool e não de sua performance impressionante cantando, por exemplo “Me & Mr Jones”, música de sua autoria, que poderíamos imaginar que foi composta nos anos 50, e cantada por uma mulher negra, com um poderoso vozeirão, na mesma década.
A artista gravou dois álbuns excelentes (Frank, 2003 e Back to Black, 2006). A pressão mercadológica da imprensa dizia que a cantora estava usando tantas drogas que não conseguia mais gravar e apresentar novos trabalhos ao seu público. Não sabemos precisamente o nível de vício da cantora e acreditamos que o vício em drogas poderia, eventualmente, atrapalhar seu desenvolvimento artístico. Mas acreditamos que o artista não pode ser obrigado a produzir sua arte em série, uma coisa nova a cada ano, sob o ritmo do mercado musical. Os artistas que respeitam seu ritmo artístico – não necessariamente por convicção, mas simplesmente pela forma de fazer arte – sofrem, assim interpretações diversas, as vezes perversas e duras.
Os lamentáveis (e, diga-se de passagem, corruptos) tablóides ingleses não divulgaram, no entanto, um dos motivos da demora para o lançamento do 3° álbum de Amy. Este foi a recusa da gravadora das músicas que estavam sendo gravadas, porque estava caminhando para um estilo muito fora do padrão que mundializou a cantora, que segundo a Universal Records (a gravadora da cantora) estava expresso em Back to Black.
Não veremos mais o 3° álbum de Amy Winehouse, pelo menos na forma que ela poderia ter pensado. A Universal Records deve lamentar a morte da cantora na perspectiva de não haver mais possibilidade de lucrar com novos trabalhos. No entanto, agora, comemora a retomada das vendas de Back to Black e sua subida para o topo dos mais vendidos. A arte perdeu. Aproveitemos o que Amy Winehouse deixou
CAMILA LISBOA, DE SÃO PAULO (SP)
• Quando nos referimos ao lixo cultural que a decadência do capitalismo tem produzido, estamos falando do que não é arte. Falamos de algo produzido às pressas, sem personalidade, sob o ritmo louco do mercado, sem critério de criação, sem expressão real de nenhum sentimento, pensamento ou qualquer coisa. Sob essa lógica, buscam-se padrões estéticos, sem muitas exigências artísticas. 25 a 30 shows por mês, ‘Domingão do Faustão’ e pronto. Fez-se um “artista”, ou um “fenômeno”.
Olheiros, empresários e gravadoras vivem atrás dos potenciais “fenômenos”, com o fim permanente da sociedade capitalista: lucrar, lucrar e lucrar.
Fazer boa música, produzir arte, compor, escrever, tocar e cantar sob o critério da arte é uma arte e tanto. E foi com isso que Amy Winehouse surpreendeu. Apesar de branca, suas raízes na música negra, influenciada pela família de cantores de jazz (avó, tios e pai) trouxeram ao mundo uma capacidade artística incrível, que revigorou a história do jazz e do R&M (Rythm and Blues, gênero musical nascido junto com o jazz nos anos 50).
A história social do jazz expressa resistência e um movimento artístico e cultural que impunha, junto aos movimentos políticos e sociais da época, uma nova correlação de forças na luta contra o racismo. Isso é claro como expressão de um tempo, não necessariamente por letras militantes.
Amy Winehouse expressava rebeldia em suas letras não porque se recusasse a ir para reabilitação – e diga-se de passagem, a interpretação que se divulgou dessa letra não tem nada a ver com o que ela queria dizer. Amy Winehouse foi rebelde porque fazia arte verdadeira, com entrega. O amor não lhe era um sentimento bonito, como nos contos de fada, mas um sentimento de dor, de massacre, de automutilação. É muito rebelde falar do amor assim. Para Amy, o amor é dor porque se humilha e “chora no chão da cozinha”, sem se importar em expressar mais amor do que o correspondido.
O sentimentalismo exagerado e uma visão melancólica e egocêntrica do mundo. Essa era Amy, que com certeza poderia estar acompanhada de outros poetas da 2° geração romântica, a geração spleen (termo através do qual ficou conhecida esta geração, pois ele significa tédio, que expressa melancolia, pessimismo). Mas a Amy era de hoje.
É claro que tudo no capitalismo vira mercadoria, os artistas, as noticias sobre os artistas, as fotos dos artistas, qualquer coisa. O perfil mercadológico de Amy Winehouse foi construído sob essa impressão meio rebelde, mas a abordagem mercadológica associou sua rebeldia ao uso excessivo de drogas e álcool. E ao se falar de Amy Winehouse, se fala automaticamente de sua relação com as drogas e álcool e não de sua performance impressionante cantando, por exemplo “Me & Mr Jones”, música de sua autoria, que poderíamos imaginar que foi composta nos anos 50, e cantada por uma mulher negra, com um poderoso vozeirão, na mesma década.
A artista gravou dois álbuns excelentes (Frank, 2003 e Back to Black, 2006). A pressão mercadológica da imprensa dizia que a cantora estava usando tantas drogas que não conseguia mais gravar e apresentar novos trabalhos ao seu público. Não sabemos precisamente o nível de vício da cantora e acreditamos que o vício em drogas poderia, eventualmente, atrapalhar seu desenvolvimento artístico. Mas acreditamos que o artista não pode ser obrigado a produzir sua arte em série, uma coisa nova a cada ano, sob o ritmo do mercado musical. Os artistas que respeitam seu ritmo artístico – não necessariamente por convicção, mas simplesmente pela forma de fazer arte – sofrem, assim interpretações diversas, as vezes perversas e duras.
Os lamentáveis (e, diga-se de passagem, corruptos) tablóides ingleses não divulgaram, no entanto, um dos motivos da demora para o lançamento do 3° álbum de Amy. Este foi a recusa da gravadora das músicas que estavam sendo gravadas, porque estava caminhando para um estilo muito fora do padrão que mundializou a cantora, que segundo a Universal Records (a gravadora da cantora) estava expresso em Back to Black.
Não veremos mais o 3° álbum de Amy Winehouse, pelo menos na forma que ela poderia ter pensado. A Universal Records deve lamentar a morte da cantora na perspectiva de não haver mais possibilidade de lucrar com novos trabalhos. No entanto, agora, comemora a retomada das vendas de Back to Black e sua subida para o topo dos mais vendidos. A arte perdeu. Aproveitemos o que Amy Winehouse deixou
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A partir da lógica utilizada nas notas explicativas e na planilha de custos apresentadas pelo Ministério da Educação (MEC) para justificar suas opções na elaboração do PNE 2011/2020, o objetivo desta Nota Técnica (NT) é calcular qual deve ser a "meta de aplicação de recursos públicos em políticas educacionais como proporção do produto interno bruto (PIB)" (CF/88, Art. 214, Inciso VI) para o cumprimento de dois princípios da Constituição Federal de 1988 (CF/88): garantir a "igualdade de condições para o acesso e permanência na escola" e o "padrão de qualidade".