quarta-feira, 28 de março de 2012

O MURO QUE O TEMPO NÃO CONSEGUIU DERRUBAR

"É estranho como geralmente o macro e o micro se refletem, de modo que a história de um homem, seus relacionamentos, sua vergonha e seus problemas refletem a nossa situação global, política e religiosa. Há um muro entre o norte e o sul, outro entre os ricos e os pobres. Há, com todo o respeito, um muro que chamamos de imprensa entre os cidadãos e a realidade da vida"

Roger Waters - baixista do Pink Floyd

sábado, 24 de março de 2012

RÁDIO BOM GOSTO WEB MAIL

Se você não quer mais ser manipulado pelas necessidades de existência do Mercado de Consumo, desligue a rádio usual e se ligue na Rádio Bom Gosto sem comercial.

http://rbgwcomunicacoes.listen2myradio.com/

A VIDA SERÁ MAIS PRAZERORA OUVINDO A MELHOR MÚSICA DO MUNDO EM TODOS OS TEMPOS.

Rádio Bom Gosto Webmail

sexta-feira, 23 de março de 2012

Correio Caros Amigos

Artigo analisa ação do MPF contra torturador da ditadura

OAB-chamaMPF X LEI DA ANISTIA Em boa hora o Ministério Público Federal ofertou denúncia criminal contra Sebastião Curió, acusando-o de sequestro na guerrilha do Araguaia. Por Luís Fernando Camargo de Barros Vidal

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Michael Löwy critica Rio+20 e a propaganda da 'economia verde'

Michel-chMICHAEL LÖWY Em entrevista à Caros Amigos, cientista fala da cúpula mundial sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, que ocorre em junho.

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Campanha mundial denuncia apartheid de Israel contra palestinos

Israeli-apartheid-chAPARTHEID ISRAELENSE Cidades em vários países promoveram palestras, debates, exposições para marcar o Israeli Apartheid Week (IAW). movimento apoia a organização civil palestina Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

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Caros Amigos lança edição especial A Era da Mulher

CapaMulher-chESPCEIAL MULHER A Caros Amigos vasculha as lutas e conquistas das mulheres na edição especial A Era da Mulher, que está nas bancas. Confira mais.

Nas Bancas
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INTERNET SITIADA: Reportagem mostra os ataques da indústria do copyright à rede mundial de computadores através de leis como Sopa, Pipa ou Acta. Leia mais

RIO+20: Rio de Janeiro volta a ser palco dos destinos do mundo em relação às mudanças climáticas. Mas o que esperar da Rio+20 em meio à crise capitalista? Leia mais

ARMAS DE ISRAEL: Brasil compra treinamento e armas de Israel para serem utilizados em conflitos urbanos, o que inclui a repressão a movimentos sociais, como em Pinheirinho. Leia mais

ATO DE REPULSA

Quando ouvimos frases como as escritas abaixo, infelizmente temos que engolir e ficar quietos!!! "O Brasil não é um país sério" (Charles de Gaule).
"Que país é este que junta milhões numa marcha gay, muitas centenas numa marcha a favor da maconha, mas que não se mobiliza contra a corrupção?" (07/07/2011 Juan Arias, correspondente no Brasil do jornal espanhol El País)
Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata! Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage. Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército. Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional. Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas. SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, bemmenos do que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos. Precisamos urgentemente de um choque de moralidade nos três poderes da união, estados e municípios, acabando com os oportunismos e cabides de emprego.Os resultados não justificam o atual número de senadores, deputados federais, estaduais e vereadores.Temos que dar fim a esses "currais" eleitorais, que transformaram o Brasil numa oligarquia sem escrúpulos, onde os negócios públicos são geridos pela "brasiliense cosa nostra".O país do futuro jamais chegará a ele sem que haja responsabilidade social e com os gastos públicos.Já perdemos a capacidade de nos indignar.
Porém, o pior é aceitarmos essas coisas, como se tivesse que ser assim mesmo, ou que nada tem mais jeito. Vale a pena tentar.
Participe deste ato de repulsa.REPASSE! façamos alguma coisa, por mínima que seja.
Se nada fizermos, não levantarmos nossas bandeiras contra toda essa corja que hoje habita os corredores dos poderes públicos, seremos cúmplices.
Estou fazendo a minha parte, faça a sua, de alguma forma. Não admita corrupção, por mínima que seja. Denuncie.

SITUAÇÃO DO MAGISTÉRIO NO BRASIL!!!

AULA DE MATEMÁTICA
Hoje vou brincar de professor de matemática. Vou passar alguns problemas para vocês resolverem.
Problema nº1
Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada. Quantos alunos ele atenderá por dia? Resposta: 200 alunos dia.Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por Mês? Resposta: 4.400 alunos por mês.
Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que em cada um deles, resolveram pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias.
Quanto é a fatura do professor por dia? R: 160,00 reais diários. Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor? R: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00.
Problema nº2
O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais. Quanto o professor fatura por cada atendimento? Resposta: aproximadamente 0,27 mensais(vixe, acham que valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios...
Problema nº3
Um professor de padrão de vida simples, solteiro e numa cidade do interior de Goiás, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis: Sindicato: R$12,00reais.
Aluguel: R$350,00reais ( pra não viver confortável). Agua/energia elétrica: R$100,00 reais (usando o mínimo). Acesso à internet: R$60,00 reais. Telefone: R$30,00 reais (com restrições de ligações). Instituto de previdência: R$150,00 reais. Cesta básica: R$500,00 reais. Transporte: sem dinheiro. Roupas: promocionais. Quanto um professor gasta em um mês? Total das despesas: R$1202,00. Qual o saldo mensal de um professor? Saldo mensal: R$1187,00 - 1202=
-15 reais, passando necessidades. Agora eu te pergunto:- Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana?
- Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas, etc.
- Quanto vale o trabalho de um professor??
- Isso é bom para o aluno???
- Isso é bom para a educação pública do Brasil??
- Isso é bom para os seus filhos por serem instruídos com essesprofessores?? Agora olhem a pérola que o Sr. Marconi "Perigo" de Goiás disse:" Quem quiser dar aula faça isso por gosto, e não pelo salário. Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado "(Marconi "Perigo" - Governador de Goiás). SE VOCÊ ACHA QUE O GOVERNADOR DEVE ABRIR MÃO DE SEU SALÁRIO E GOVERNAR POR AMOR, PASSE PARA A FRENTE!. CAMPANHA"Perigo, doe seu SALÁRIO e governe por AMOR ! "Vamos espalhar isso aos 4 ventos e aumentar a campanha: DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS, MINISTROS, DOEM SEUS SALÁRIOS E TRABALHEM POR AMOR!
"O meu ideal político é a democracia, para que o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado".
Albert Einstein

O DESASSOSSEGO DA OPORTUNIDADE

A luta pela definição dos termos da crise é sempre o primeiro momento de politização e o mais adverso para os grupos sociais que mais sofrem com a crise. Os grupos sociais que produzem as crises mantêm em geral, e salvo casos raros de colapso sistêmico, a capacidade de definir a crise de modo a perpetuar os seus interesses durante e depois dela.
Boaventura de Sousa Santos
Os desassossegos de Portugal são de longo e médio prazo, e só eles nosajudam a entender o modo como damos resposta às crises de curto prazo. Durante o século XVIII, os barcos que traziam o ouro do Brasil aportavam no porto de Lisboa, mas seguiam muitas vezes para Inglaterra para que a nossa dívida soberana fosse paga. Quem quiser ver paralelos com o que se passa hoje basta substituir barcos por Internet e Inglaterra por credores sem rosto. Portugal é de longa data um país semi-periférico ou de desenvolvimento intermédio. No atual sistema mundial é muito difícil sair deste estatuto, quer para cima (promoção a país desenvolvido) quer para baixo (despromoção a país em desenvolvimento). As convulsões ou grandes transformações políticas criam oportunidades e riscos, e os países mudam de estatuto para melhor se aproveitarem as oportunidades e evitarem os riscos. Foi assim que no pós-guerra a Itália foi promovida a país desenvolvido. Portugal, devido ao fascismo e à guerra colonial, desperdiçou essa oportunidade. O 25 de Abril e a entrada na CEE (Comunidade Econômica Europeia) criaram para Portugal outras oportunidades e trouxeram outros riscos, e mais uma vez não aproveitamos as primeiras e não evitamos os segundos. A tentativa socialista estatizante de 1975 foi um risco enorme; os termos de integração na CEE não acautelaram nem a agricultura e a pesca portuguesas nem as relações históricas com as ex-colônias. Por outro lado,os fundo estruturais e de coesão foram desbaratados no que constitui a história mais secreta da corrupção em Portugal. O euro, combinado com a abertura da economia europeia ao mercado mundial, foi a última machadada nas aspirações portuguesas, pois tínhamos têxteis e sapatos para vender mas não aviões nem comboios de alta velocidade. Os termos da integração foram-nos sendo mais desfavoráveis, o projecto europeu foi-se desviando das vontades originais e os mercados financeiros aproveitarem-se das brechas criadas na defesa da zona euro para se lançarem na pilhagem em que são peritos, agravando as condições do país muito para além do que pode ser atribuído à nossa incúria ou incompetência.Vivemos a hora dos grupos dominantes, cujo poder parece demasiado fortepara poder ser desafiado. A democracia, que aparentemente controla o seu poder, parece sequestrada por ele. Vivemos um tempo de explosão da precariedade, obscena concentração da riqueza, empobrecimento das maiorias, e incontrolável perda do valor da força de trabalho. E se é verdade que todas as crises são políticas, não é menos verdade que não se politizam por si. A luta pela definição dos termos da crise é sempre o primeiro momento de politização e o mais adverso para os grupos sociais que mais sofrem com a crise. Os grupos sociais que produzem as crises mantêm em geral, e salvo casos raros de colapso sistêmico, a capacidade de definir a crise de modo a perpetuar os seus interesses durante e depois dela. A crise só deixa de ser destrutiva na medida em que se transforme em oportunidade nova para as classes sociais que mais sofrem com ela. E, para isso, é necessário que os termos da crise sejam redefinidos de modo a libertar e credibilizar a possibilidade de resistência, o que implica luta social e política.No nosso caso, a possibilidade da redefinição da crise é mais consistente que em outros países. Só por má fé ou derrotismo se pode dizer que a situação da economia justificava os ataques especulativos de que fomos alvo. Basta consultar as estatísticas mais recentes (Fevereiro) do Eurostat relativas à evolução da atividade econômica: no período analisado, Portugal foi um dos países da UE em que mais cresceram as novas encomendas à indústria. Se há país intervencionado que tem legitimidade para exigir a renegociação e a redução da dívida, esse país é Portugal.Esta legitimidade justifica a luta mas não a faz surgir. Para isso, énecessário que os cidadãos e os partidos inconformados transformem oinconformismo em ação coletiva de desobediência financeira.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

A janela e o espelho


A mais importante função da teoria nos nossos tempos é a de historicizar a realidade, isto é, a de demonstrar como toda realidade é produto da ação – consciente ou inconsciente – dos homens, revelar como foi produzida, quem a produziu, para desembocar em como pode – e deve – ser desarticulada e reconstruída conforme a ação consciente dos seres humanos.

O mecanismo mais alienante de todos hoje é o da naturalização do mundo: as coisas são como são, não podem ser diferentes, a pobreza, a miséria, as catástrofes sempre existiram e sempre existirão. Os próprios pobres não querem sair da sua pobreza. Os países pobres sempre foram e sempre serão pobres. A riqueza é produto do trabalho, do empenho, da seriedade de alguns países, enquanto o atraso é resultado de mentalidades retrogradas, de gente que não gosta de trabalhar, de preguiçosos.

Não por acaso, no auge do seu ufanismo, ideólogos do sistema capitalista proclamaram o “fim da história”. Houve história até o momento em que festejavam sua vitória. A partir dali se teria chegado ao suprassumo do desenvolvimento humano – economia capitalista de mercado e democracia liberal -, insuperável patamar da felicidade e da realização da civilização.

O capitalismo seria o ponto de chegada natural da história e a burguesia sua encarnação. A pós-modernidade é a teoria dessa visão. O abandono das grandes narrativas representa a renúncia à compreensão dos processos contemporâneos, que já não seriam nem possíveis, nem necessários. Faz parte de um ceticismo profundo, que marca esse pensamento e que contribui para o fatalismo.

A pós-modernidade se define contra a totalidade, contra a teleologia e contra o utopismo, sob o pretexto de lutar contra o totalitarismo e os reducionismos. Renuncia assim às grandes interpretações de compreensão global da realidade, mais ainda aos projetos de sua transformação. Contribuem para naturalizar a realidade.

Compreender o mundo é, sobretudo, historicizá-lo, entender como ele foi constituído da forma que o conhecemos e como a ação humana reproduz essa realidade. Para poder captar a forma pela qual é possível desmontar e reconstruir de outra forma essa realidade.

Dessa maneira podemos olhar a realidade não desde uma janela, como algo alheio a nós, mas como um espelho, reflexo da ação humana.

Postado por Emir Sader às 11:47