terça-feira, 9 de julho de 2013

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domingo, 7 de julho de 2013

SOCIÓLOGO FRANCISCO OLIVEIRA, em entrevista ao IG

Para Francisco Oliveira, um dos ícones do pensamento de esquerda no Brasil, não existe no Brasil um cenário de crise que justifique mobilizações permanentes
As manifestações que chacoalharam o Brasil nas últimas semanas não foram nada demais, talvez apenas um espasmo diluído na falta de demandas claras. A opinião é do sociólogo Francisco de Oliveira, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), um dos ícones do pensamento de esquerda no Brasil. De acordo com ele, não existe no Brasil um cenário de crise que justifique mobilizações permanentes.
Em entrevista exclusiva ao iG , Oliveira admitiu desconhecer os motivos que levaram milhões de brasileiros às ruas e afirma categoricamente que não é o único. “Ninguém sabe. Estão todos chutando hipóteses”.
Segundo ele, a onda de manifestações “não muda nada” no cenário político nacional pois, embora tenha reagido de forma “risível” à voz das ruas, Dilma tem plenas condições de reverter o desgaste até o final do mandato. Ex-colaborador e desde de 2003 crítico contumaz de Luiz Inácio Lula da Silva, Oliveira não descartou a possibilidade de retorno do ex-presidente em 2014 mas advertiu que isso seria “péssimo” para o País pois “Lula quer ser o Perón do Brasil”.
Leia os principais trechos da entrevista:
iG - O que aconteceu nas ruas do Brasil nas últimas semanas? 
Francisco de Oliveira  Nada demais. É um pouco inédito devido ao fato de que se deu em várias partes do País, coisa que não era comum ocorrer. As manifestações mais fortes sempre se deram no Rio e São Paulo e desta vez se apresentaram em várias partes do País de forma bastante intensa. Mas não há uma explicação. Primeiro levantaram os preços das passagens, os governos recuaram e aquilo se transformou em uma manifestação sem sentido. De fato vivemos numa conjuntura política em que não há motivo para crise.
iG – Isso explica o fato de as manifestações terem perdido a força? 
FO – Sim. Não tem um foco e, portanto não tem o que reivindicar. Ninguém mantém parte da população em estado de tensão em que vá para a rua todos os dias. É esperar demais.
iG – Os R$ 0,20 foram um catalisador. É possível surgir outro fato capaz de provocar o mesmo efeito? 
FO – Difícil. Numa sociedade complexa como o Brasil você não mantém as pessoas na rua sempre.
iG – O que levou essas pessoas para a rua? 
FO – Não sei e ninguém sabe. Estão todos chutando hipóteses. A primeira delas foi o aumento da tarifa de transporte mas isso é tão pouco para mover tanta gente. É claro que foi um estopim mas não é capaz de manter uma mobilização.
iG – Alguns estudiosos apontam um motivo mais emocional, vinculado à natureza juvenil, do que racional. 
FO – É difícil tentar qualquer explicação. É claro que há um componente emocional. As pessoas que saem às ruas para protestar podem se unir e podem não se unir mas o componente maior era político, embora sem objetivos. A reação da Polícia Militar, por exemplo, acirra, as pessoas ficam com raiva, mas isso passa.
Ricardo Galhardo
Francisco Oliveira: "Nem a direita nem a esquerda tem capacidade de mobilização"
iG – O que muda no cenário político com os protestos? 
FO – Não muda nada. A reação da presidente foi risível. Ela quis responder ao clamor das ruas com um plebiscito. Isso é piada. Ela não entende o que é política, principalmente política de massas, e veio com essa de constituinte e plebiscito. Isso é para rir. Uma coisa é responder à voz das ruas com ações factíveis. O que ela propôs não é factível por razões formais, legais etc. Ela não sabe do que se trata. Não entende nada.
iG – As pesquisas mostram uma queda vertiginosa da aprovação de Dilma. 
FO - A essa altura ninguém sabe para onde vai o governo. Essa queda da Dilma pode não ser consistente. Com uma administração razoável nos meses que lhe restam Dilma pode se recuperar. Marina (Silva) é fogo de palha e Aécio (Neves) enfrenta forte desgaste na base dele que é Minas Gerais. Dilma pode se recuperar. É só não fazer besteira.
iG – Qual a melhor maneira para fazer a reforma política? O senhor mesmo chegou a elaborar um projeto para o Instituto Cidadania antes da eleição de Lula. 
FO – A reforma política é uma coisa muito complicada. Não é fácil. Primeiro tem que ir para o Congresso, a não ser que se dê um golpe de Estado. O Congresso é o lugar apropriado e ele não age assim de repente. Não pode ser de um dia para o outro. A reforma se faz para sair de uma crise. A Constituinte de 1988, por exemplo, foi feita por causa das tensões, equívocos e erros da ditadura. Não se faz a frio. Se o Congresso sempre trabalhasse em alta consciência seria possível. Mas não é assim que o Congresso trabalha. É fácil pensar e difícil executar uma reforma dessas. Não dá pra ser uma coisa despirocada. É preciso organizar os grupos, estes grupos precisam eleger seus partidos e os partidos atuar no Congresso. Fora isso é um ato de ditadura.
iG – Dilma está isolada? 
FO – Ela nunca teve poder. A Dilma é uma criação do Lula e o Lula tirou o corpo. Ela não tem uma vivência política capaz de articular uma reforma complexa. Dilma não tem âncora em nenhum partido. O PMDB brinca com ela a torto e a direito. O PT não é confiável para uma reforma dessa envergadura. O PT não mobiliza mais ninguém. Nem o Lula. Por isso ele fica quieto.
iG – A direita tem capacidade de mobilização? 
FO - Não tem nada. Nem a direita nem a esquerda. Alguém vai para a rua por causa da maioridade penal? Imagine.
iG – O que faria o senhor ir para a rua? 
FO – Muito pouca coisa. Na medida em que uma sociedade como a brasileira vai evoluindo política e economicamente fica mais difícil chamar o povo para a rua. Nem tem motivo. A Dilma, mesmo sendo um macaco numa loja de louças, não é uma péssima presidente. Ela é uma presidente medíocre, criação do Lula, sem muito traquejo político, com uma base parlamentar enorme mas que na verdade não é nada. Não tem crise no sentido crítico da palavra capaz de levar alguém para a rua. O que motivou os rapazes é uma coisa até hoje sem definição. Ninguém sabe por que eles ficaram tanto tempo na rua, de Fortaleza a Rio Grande do Sul, fazendo manifestações sem explicações lógicas nem políticas. Permanecerá um mistério na história das manifestações de massa no Brasil essa explosão, esse rastilho de pólvora.
iG – Foi um espasmo? 
FO – Pode ter sido. As manifestações pegaram fogo com a história das passagens de ônibus e logo, logo morreram.
iG – Existe alguma semelhança entre os protestos no Brasil e no exterior? 
FO – Nenhuma. Na raiz de todos estes protestos lá na Europa e nos EUA havia a crise. No Brasil não tem uma crise econômica que detona a crise política. Aqui não tem nada disso. O que existe é uma espécie de euforia que é falsa também. Os condicionantes de crise não estão aí. As passeatas não são sinal de crise. Isso é uma bobagem. Não são quaisquer 50 rapazes nas ruas que vão provocar uma crise. E a presidente quis dar uma resposta mas acabou dando um tiro na água.
iG – Qual é o caminho? 
FO – O caminho é pela política. Não há outro. O Congresso pode ser ruim, avacalhado, mas não tem outro jeito. Todo Congresso é ruim por definição. A primeira coisa seria organizar os grupos mas quais são os grupos organizados? Nenhum.
iG – Lula pode voltar emn 2014? 
FO – Tomara que não. Boa parte das dificuldades que Dilma enfrenta são devidas ao Lula. A possibilidade existe porque há um vazio, muitos políticos sem expressão. Mas seria péssimo para o Brasil. Lula quer se tornar uma espécie de Perón do Brasil.

ORIGENS DO ÓDIO ENTRE ÁRABES E JUDEUS NA PALESTINA


Sob todos os ângulos, o moral, o político e o histórico, o conflito entre árabes e judeus é complexo. Para mim, que vivi em Israel e lá tenho amigos e família, é também repleto de cargas emocionais e simbólicas. Relutei em escrever este artigo. Ocorre que estive há poucas semanas nos territórios palestinos da Cisjordânia, sob ocupação parcial de Israel, para ver com meus olhos e descrever a saga dos palestinos que precisam passar por postos militares de controle todos os dias ao transitar entre suas próprias vilas, campos e cidades.
O ataque a Gaza atropelou meus planos. A solução que encontrei foi adotar o ângulo mais geral da violência em si, do ódio crescente entre árabes e judeus. Pensar sobre suas raízes. Mesmo antes do ataque a Gaza houve uma nova escalada nessa espiral de ódio. Em Jerusalém, há poucos meses, um operário árabe de uma construção subiu num trator e num gesto de fúria jogou a máquina contra carros de passeio, matando e ferindo. Dias depois outro operário árabe fez o mesmo. No Cisjordânia, judeus religiosos do movimento ultra-nacionalista Israel Beitenu atacaram agricultores árabes e cortaram oliveiras. Em Naharia, cidade aprazível à beira-mar, no Norte de Haifa, houve há algumas semanas choques de rua entre moradores árabes e judeus. “Vai haver uma terceira intifada, desta vez dos moradores árabes de Israel”, prognosticou meu amigo Levy, um carioca que hoje mora num subúrbio de Tel Aviv.
O ataque a Gaza com a morte de tantas crianças, não só vai realimentar essa espiral de ódio recíproco, como o ódio pode ter sido um dos seus motivos. É a tese de Gideon Levy, importante jornalista israelense, que critica sistematicamente as autoridades no Haaretz. Indignado com a indiferença da maioria silenciosa israelense diante da violência do ataque a Gaza, ele diz que “racismo e ódio habitam os porões de suas mentes, assim como o impulso por vingança e a sede de sangue.”
Quando e como nasceu esse ódio recíproco? A pergunta é relevante porque foi entre os povos árabes que os judeus gozaram de mais liberdade religiosa e comunitária, e maior acesso ao saber, às artes e á medicina. Amos Oz, o grande escritor israelense defensor da paz toca o tempo todo no conflito entre as comunidades árabe e judaica em seu principal livro, o autobiográfico “Do amor e trevas”. Ele era um menino em Jerusalém quando se deu uma brutal escalada no conflito e é com os olhos de uma criança que ele vai rememorando fatos e cenários.
No começo do século XX, Jerusalém já era a maior cidade da Palestina, então uma província do Império Otomano, e lá viviam em harmonia pelo menos quatro grandes etnias, sendo a maioria os 35 mil judeus. Entre os outros vinte mil havia árabes cristãos árabes muçulmanos, armênios e gregos. Na Palestina como um todo, a maioria da população, não mais que meio milhão, eram árabes.
Em 1922 e 1923, em seguida à derrota da Turquia na grande guerra e em meio ao processo de outorga da controle da região à Grã Bretanha, eclodiram os primeiros levantes em Jaffa, e Jerusalém de árabes incomodados com a crescente presença de judeus disputando seus empregos e comprando suas terras, mas mais incomodados ainda pela demora dos ingleses em lhes dar a independência, como haviam sido prometido se eles se levantassem contra os turcos, primeiro ao Sheik de Meca, depois ao Rei do Iraque.
Era o nascimento do novo nacionalismo árabe, dirigido pelo movimento político Irmandade Muçulmana. Mas os conflitos tinham pequeno porte, manifestações que viravam arruaças. Ninguém falava em jogar os judeus no mar.
Nos anos 30 os conflitos recrudesceram, já então dirigidos pelo maior autoridade religiosa árabe da Palestina, o mufti de Jerusalém, Haj Amin al Husaini, – que aderiu á causa nazista. Nascia a vertente xenófoba do nacionalismo árabe. Hoje em na forma do fanatismo religioso do Hamas e do Hezbola. Entre os judeus demorou mais, porque os ortodoxos em sua maioria eram anti-sionistas. Mas são religiosos e fanáticos os membros do grupo judeu de extrema direita “Israel Beiteinu”.
Em 1937, a comissão do governo britânica que investigou os conflitos estimou em 1 milhão a população árabe e 400 mil a judaica, não havendo “nada comum entre as duas.” Essa comissão colocou-se contra criação de um Estado de caráter judeu, endossando a posição das lideranças árabes. Os governos árabes admitiam um Estado multi-étnico, sem que nenhuma etnia mandasse na outra, mas não um Estado de caráter judeu.
O judeus de Jerusalém, lembra então Amos Oz, pareciam personagens de um romance de Tolstoi vindos diretamente do século XIX. Alguns pareciam o próprio Tolstoi, intelectuais extravagantes, sonhadores barbudos, poetas. A maioria viera da Rússia, como seu tio Joseph Klausner, que passou a vida trabalhando na sua tese de que Jesus de Nazaré foi um moralista judaico por excelência, nunca deixou de ser judeu e nem fundou uma nova religião. Em 1929 o bairro Talpiot em que moravam Klausner e o escritor Agnon, lembra Amos Oz, foi atacado por árabes e a biblioteca dos dois parcialmente queimada.
Amos nasceu em 39, ano em que os nazistas atacaram a Polônia dando início à segunda guerra mundial. Aviões italianos jogaram bombas em Haifa e Jerusalém. Os tanques de Rommel chegaram quase às portas do Cairo. Antes do final da guerra a mãe de Amos já sabia que toda sua família, suas amigas e seus professores haviam sido mortos por alemães e poloneses nas florestas de Rovno. A maioria dos 60 mil habitantes de Rovno eram judeus e ali já 1919 haviam sido criadas escolas voltadas ao ensino em hebraico.
Em 1947, quando a ONU mandou uma comissão para estudar uma eventual partilha da Palestina em dois Estados um árabe e um judeu, Jerusalém já tinha cem mil habitantes judeus, e mais 65 mil das demais etnias. Em todo o país a população judaica crescera muito, apesar dos ingleses terem imposto uma a quota que limitava a entrada dos sobreviventes dos campos de concentração.
Aconteceu então o ataque da organização terrorista judaica de extrema direita, chamada Irgun à aldeia árabe, Deir Yassin, nas proximidades de Jerusalém, no dia 4 de abril. Era dia de feira. mais de 110 árabes foram mortos. Uma chacina sem precedentes. O líder do Irgun era Menachen Begin o ídolo do tio pai de Amos Oz. Quatro dias depois, veio a retaliação: um comboio de que levava professores para a da universidade de Jerusalém, situada no Monte Scopus e isolada do bairro judeu, foi emboscado por árabes e todos os seus 77 passageiros mortos, sob o olhar indiferente cúmplice da polícia britânica. Entre os mortos, o diretor do hospital Hadassa, o fundador da faculdade de medicina, chefes de departamento da universidade e professores ilustres.
Nesse incidente aparece claramente o outro gene do ódio entre comunidades, a política britânica de “dividir para governar.” Em quase todas colônias do Império Britânico, ficou a herança do ódio entre comunidade, na Índia, na Guyana inglesa, na Palestina. O pai de Amoz Oz, era bibliotecário da Universidade e só não foi morto porque naquele dia teve uma febre e não se juntou ao comboio. No dia seguinte, um novo massacre de 50 prisioneiros judeus que já haviam se rendido depois de derrotados numa batalha pela abertura do cerco de Jerusalém, em Gush Etzion.
Esses três massacres num espaço de apenas cinco dias, todos totalmente injustificáveis e explicáveis apenas pelo ódio estabeleceram a natureza violenta das relações entre as duas comunidades pelos tempos a fora.
No ano seguinte, a assembléia da ONU aprovou a proposta da comissão de criação dos dois estados por 33 votos contra 13. Entre as dez abstenções estava a Grã Bretanha. União Soviética e Estados Unidos votaram a favor. Brasil também. Surgiu então a segunda e mais importante fonte da violência na região: a assimetria entre os planos dos judeus, que haviam se preparado há anos para a proclamação do Estado judeu, e os das lideranças países árabes que mantinham o veto à implantação na região de um estado de caráter judeu.
Exércitos árabes dos cinco países vizinhos, e mais o Iraque que não tinha fronteiras, invadiam a Palestina. O resultado sabemos: Os judeus perderam Jerusalém (que reconquistariam depois na guerra de 67), e os árabes perderam na maioria dos outras frentes, incluindo grandes cidade de população mista: Jaffo, Tiberíades, Sfad. Israel passou a controlar um território 40% maior do que o originalmente proposto pela ONU e não permitiu o retorno dos palestinos que haviam fugido de suas casas. Surgiram os primeiros campos de refugiados palestinos na Jordânia, Líbano e faixa de Gaza, quase 700 mil só daquela guerra.
Seguiram-se três guerras relativamente convencionais e no contexto da guerra fria, em 1956, em 1967 e em 1973. Israel sendo apoiado pelas potencias Ocidentais e o Egito pela Rússia. As leis de guerra foram em geral respeitadas. Mas o ódio foi crescendo. Entre os judeus foi se aprofundando a síndrome de Metzada, como é chamada s sensação de que estão cercados e serão um dia destruídos. Daí nasceu a política de expansão territorial, ataques preventivos e a desproporcionalidade dos revides.
Entre os árabes foi se dando um racha, de início leve, hoje profundo, entre os que acabaram por admitir a existência do estado judeu, assinando tratados de paz ( Egito e Jordânia), e os que mantém a tese de que o estrado judeu é uma usurpação de seus direitos e deve se extinto: Hezbolla, no Líbano e Hamas, na faixa de gaza sendo os grupos principais, como governo do Irá apoiando. Em 2000 Arafat rejeitou no ultimo minuto uma ampla proposta de paz de Ehud Barack, de medo de uma revolta das bases liderada pelos grupos mais radicais.
O fracasso de Camp David reforçou a estratégia israelense de procrastinação, negociações de paz que nunca levam a nada, da qual se aproveitam para expandir a presença de novas colônias na Cisjordânia. Na faixa de Gaza isso também foi tentado, mas a idéia da absorção de mais 1,5 milhões de árabes para expandir o território em escala ínfima fez com que o governo decidisse pelo oposto: retirada os colonos judeus, e o fez à força.
Na Cisjordânia, o quadro é desolador. Foi onde estive com a ONG israelense de defesa dos direitos humanos, chamada Machson Watch, criada em 2001, exclusivamente por mulheres. Ali, além do estabelecimento de colônias judaicas de modo ilegal, estão tão embaralhadas as fronteiras entre três tipos de administração provisória, palestina, israelense e compartilhada, que logo se desconfia haver um projeto israelense, não só de expansão, também inviabilização de um Estado palestino. É o que diz indignada, apontando para as cercas, a minha guia a israelense Racheli Bar Or, uma psicoterapeuta militante do Machson Watch. “É como o plano tentado na África do Sul, de criar bolsões da população negra,”, diz ela.
Além dos retalhamento dos territórios há estradas, com a que tomamos para chegar lá, a Rodovia N. 5, que chega um dos maiores assentamentos judaicos na Cisjordânia, Ariel, na qual só podem circular veículos de chapa israelense; outras onde os oficiais da autoridade palestina podem circular, mas os particulares não, além de restrições de horários e outras, que mudam constantemente.
Meu amigo Dov, um paulista que hoje também mora perto de Tel viv e que quis nos acompanhar, servindo de fotógrafo, explica sem muito entusiasmo as estradas exclusivas surgiram porque carros israelís vinham sendo apedrejados.
No checking point principal que ficamos observando, um dos casos mais absurdos foi dia foi a detenção por várias horas de um veterinário que inadvertidamente havia entrado por havia tomado uma estrada num horário em que não podia. Nesses casos, os soldados telefonam para uma central de controle. Esse controles foram instalados para impedir a entrada de homens-bomba, explica o Dov, apontando para uma instalação especial ao lado, na todos os pacotes e bolsas maiores dos árabes passam pelo raio X.
O fato é que todo um sistema de controle foi sendo montado, que tinha como pretexto original não deixar que entrassem em Israel os homens-bomba, mas que hoje se vê que é um sistema que vive por si mesmo e vão consolidando o controle israeli. “Já fazem 41 anos, diz a minha guia Racheli, lembrando que a ocupação da Cisjodânia se deu na guerra de 1967. Ou seja, muitos daqueles jovens estudantes árabes e até os mais adultos nunca viram outro cenário senão o da ocupação.
Nesse posto de controle, dezenas de lotações estacionados de cada lado, para trazer e levar de volta as pessoas ás suas vilas e aldeias, de um lado, ou levando e trazendo de volta de Nablus, no outro lado. A maioria são jovens, que vão a Nablus estudar, mas há gente de todo tipo, senhoras carregando grandes sacolas, mães que levaram seus filhos a hospitais. Nablus tem 160 mil habitantes e 18 mil estudantes, grande parte deles, de cidades menores e vilas da s adjacências.
Não se pode dizer os soldados do check-point maltratam deliberadamente os árabes.Há até uma passagem especial – em parte depois das reclamações da Machson, chamada passagem humanitária, por onde passam todas as mulheres e idosos sem muita apurrinhação. Mas nada disso consegue minimizar a humilhação sentida pelos árabes, que precisam passar por esse vexame todos os dias em suas próprias terras centenárias. Essa humilhação só pode alimentar ainda mais o ódio. Entre os soldadinhos israelenses – e são soldadinhos mesmos, jovens de não mais que 18 ou 19 anos – a desmoralização, por se verem convertidos em agentes da repressão e da ocupação.
O que mais me impressionou nessa vigília nos postos de controle, foi a beleza e a soberba das jovens árabes. Lindas, fazendo questão de se vestir com elegância, com o corpo todo coberto exceto o rosto, realçado pelos belos lenços de seda,elas passam pelos controles passam silenciosas mas de olhos erguidos, como quem diz. Nós somos bonitos e educados e vocês o que são?
 BERNARDO KUCINSKI

quarta-feira, 26 de junho de 2013

sábado, 22 de junho de 2013

QUAL É O NOVO BRASIL QUE QUEREMOS?

Caros amigos do Brasil,

Nas duas últimas semanas milhares de brasileiros foram às ruas de todo o país exigir não só a revogação do aumento do transporte público, mas deixar claro para o governo que temos uma voz e ela precisa ser ouvida. Há um novo Brasil surgindo, um Brasil dos seus cidadãos e nós queremos entender um pouco melhor que Brasil é esse. Será que vocês poderiam reservar cinco minutos para responder à nossa pesquisa? 

https://pt.surveymonkey.com/s/C2X3HF5 

A sua opinião será mantida em sigilo e vai ajudar a garantir que essa nova iniciativa reflita as opiniões de toda a comunidade da Avaaz.

Muito obrigado,

Pedro, Diego, Carol, Nadia, Luis, Alice, Ian e toda a equipe da Avaaz

P.S. Quer começar sua própria petição sobre algum assunto que for importante para você? Comece aqui: http://avaaz.org/po/petition/start_a_petition/


O BRASIL É NOSSO...

Caros amigos do Brasil, 

PEC da Impunidade

Após tanto descaso, abusos de poder e ineficiência das nossas instituições políticas, o povo está tomando o país de volta. Mas para esse movimento construir um país melhor, precisamos vencer alguns desafios, a começar pela PEC37, uma proposta de emenda constitucional que quer tirar do Ministério Público os seus poderes de investigação, o que pode levar o Brasil a uma era ainda mais sombria de corrupção e impunidade. Clique abaixo e assine:

Assine a petição
A rua é do povo! E o Brasil é nosso! Milhares foram marchar ontem. Os políticos nos observam com medo e espanto. Eles não entendem que há um novo Brasil surgindo. Um Brasil que é nosso e somos nós que vamos decidir o que fazer com ele.

O preço do ônibus pode subir sem diálogo com a população? Talvez no passado, agora não pode mais -- nesse momento os governadores e prefeitos de várias cidades do país estão anunciando a redução das tarifas em coletivas de imprensa. A polícia pode abusar da sua força para reprimir protestos pacíficos e sair impune? Não, se não permitirmos - balas de borracha são mais fracas do que a voz do povo.Nós, brasileiros, agora decidimos virar o jogo: somos nós, cidadãos, que decidiremos o que os políticos e as instituições públicas farão e não o contrário. Essa é a nova democracia que nasceu do povo para o povo. 

Dentro de alguns dias, a PEC37 será votada no Congresso -- se passar, colocará uma mordaça no sistema de defesa público, barrando a investigação de políticos corruptos. Vamos contra-atacar -- os políticos estão com um pé atrás agora e se fizermos barulho suficiente poderemos impedí-los e mostrar que a era de abuso político e impunidade acabou. Junte-se agora e espalhe para todos:

http://www.avaaz.org/po/petition/Convencer_senadores_a_rejeitarem_a_PEC_372011_que_limita_o_poder_de_investigacao_do_Ministerio_Publico/?biAzibb&v=26089

Essa PEC é um erro. Alguns dos maiores escândalos de corrupção em nosso país só vieram à tona por causa das ações do Ministério Público. No entanto, a nova lei pretende retirar todo o seu poder e legitimidade para investigar práticas de corrupção e os abusos policiais e colocar essa responsabilidade nas mãos da polícia. Com a polícia recebendo ordens dos mesmos políticos que deveriam investigar, como é que vamos saber se escândalos não serão abafados?

Estes protestos começaram como uma forma de expressar a frustração com as tarifas de transporte, mas se tornaram algo muito maior. Agora eles são protestos para mostrar aos nossos políticos que eles devem nos prestar contas - quando decidem gastar dinheiro com a Copa do Mundo ao invés de educação, quando passam orçamentos sem transparência, ou quando enviam a polícia para reprimir manifestantes pacíficos que estão exercendo seus direitos democráticos.

O movimento que está começando agora tem o potencial para remodelar a nossa democracia para melhor, mas só se nos juntarmos e garantirmos que ele oferecerá as verdadeiras reformas que nós precisamos, começando com uma rejeição da PEC 37.Assine agora e compartilhe com os outros:

http://www.avaaz.org/po/petition/Convencer_senadores_a_rejeitarem_a_PEC_372011_que_limita_o_poder_de_investigacao_do_Ministerio_Publico/?biAzibb&v=26089

O Brasil está mudando. Estamos construindo a nação que queremos para nossos jovens, nossos filhos e netos. Juntos, nossa comunidade ajudou a trazer essa realidade mais próxima de nós com a aprovação da Ficha Limpa, pressionando os políticos por mais transparência e muito mais. É emocionante ver o que está ao alcance de nossas mãos quando nos unimos.

Com esperança e determinação,

Pedro, Diego, Carol, Nadia, Ian, Luis, Ricken e toda a equipe da Avaaz

MAIS INFORMAÇÕES: 

Procuradores federais rejeitam proposta alternativa à PEC 37 (Agência Brasil)
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-17/procuradores-federais-rejeitam-proposta-alternativa-pec-37 

Alves diz que colocará PEC 37 em votação dia 26 mesmo sem acordo (G1)
http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/06/alves-diz-que-colocara-pec-37-em-votacao-dia-26-mesmo-sem-acordo.htm 

PEC 37: um desserviço à nação brasileira (Congresso em Foco)
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/outros-destaques/pec-37-um-desservico-a-nacao-brasileira/ 

Estádios da Copa, "roubalheira" e até PEC 37 motivam manifestantes de Brasília (UOL)
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/17/estadios-da-copa-roubalheira-e-ate-pec-37-motivam-manifestantes-de-brasilia.htm 


terça-feira, 18 de junho de 2013

PENSAMENTO DO DIA

POBRE É IGUAL A LOMBRIGA, SAI DA MERDA E MORRE
(autor desconhecido)