sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

RESCALDOS

Aos pés do Tempo

Teu perfil majestoso
é uma arma mortal de ataque
Bela
não uma adormecida
Somente habilidosos gladiadores
de palavras sensuais
poderiam descrevê-la
sem se importar com o coração
Na tua silhueta curvilinea
o tempo...o sol...e a brisa
deliciam-se
executando canções de amor
Tua linhas são curiosas pautas musicais
Teu corpo neste verão é companheiro do sol
Teu peito ondula com o vento
por  areias quentes do litoral
Vento de prazer sentido
que alucina quando te despes
para as tardes de sol
Enquanto de desnudas
meus olhos vagam silenciosos
nas ondas do amar

quinta-feira, 16 de junho de 2016

REFLEXÃO:

O capitalismo nunca desperdiça uma boa crise.

DESENCONTROS...

"Os desencontros humanos culminam com a Guerra".
Quando o homem não mais entende as palavras de seus semelhantes, essa incompreensão geral vai criando um ambiente de intranquilidade que rompe os limites do individual e agita o plano comum à todos. É muito difícil manter o pensamento sereno, no meio dos acontecimentos, cuja força, embora provocada pelo próprio homem, transcende as ações particulares.

Cada um de nós é responsável pelas angústias de seu tempo. A criança que se curva sobre o vazio, o horizonte fechado, sem perspectiva, a falta de sentido nos movimentos, a irreversibilidade do gesto acabado, o homem que busca o desespero como um fim - tudo isto é obra nossa, dos pensamentos, das palavras e das ações de cada um de nós.

Nunca deixaremos, é verdade, num certo sentido, de ser solidões impenetráveis.

Contudo, esta pungente necessidade de isolamento não quer dizer que o homem deva fugir à tomada de consciência.

Quando o mundo chega a um ponto de desencontro como o de nossos dias, é porque a própria solidão está ameaçada.

Participar das tragédias de sua época é, por isto, um gesto de defesa, uma compreensão nítida do significado exato da pessoa humana.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PODER ABRIR OS OLHOS JÁ É UM BOM DIA.
27/01/2016 - Copyleft

O mundo irreal criado pelas manchetes

O oportunismo dos jornais de abrir espaço a qualquer asneira acabou com o mínimo de racionalidade nas discussões políticas e econômicas.        


Luis Nassif - Jornal GGN
reprodução
Há duas tendências se firmando na economia.

A primeira, a constatação do refluxo das tentativas de impeachment.

O grande trunfo de Dilma Rousseff é uma oposição extraordinariamente medíocre, que se move disputando espaço nas manchetes da mídia.

***



De repente, há espaço para a radicalização, e lá se vão os Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra, Carlos Sampaio, Mendonça Filho com a disposição dos jovens carbonários, disputando quem range mais os dentes. Aí Marina Silva percebe que o contraponto é acenar com o bom senso. E acena.

De repente, o impeachment reflui. Toca então esse brilho fugaz de nome Carlos Sampaio a entrar com o pedido de extinção do PT. Só isso! E FHC é ouvido para contrapor que a vitória deve ser nas urnas, não no tapetão. E a multidão de áulicos olha reverencialmente para esse conselheiro Acácio dos tempos modernos.

Aí Marina se dá conta de que poucos continuam falando do impeachment. Então o contraponto para ganhar manchetes é radicalizar novamente. E tome Marina, Cristóvão, Marta.

***

É inacreditável como o mundo politico e jornalístico despregou-se totalmente do mundo real. Parecem vaqueiros bêbados e armados em saloons do Velho Oeste, atirando em qualquer sombra que passe pela porta. É tão grande o vácuo de ideias, que a institucionalidade se rege, agora, pelas manchetes de jornais. E as alianças se consolidam pelo recurso à lisonja.

É o caso do prêmio de O Globo para as pessoas que fazem a diferença... para as Organizações Globo. A contemplada foi a futura presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia, cuja obra de maior repercussão em 2015 foi uma frase tão grandiloquente quanto inútil:  “O crime não vencerá a Justiça”, no voto que confirmou a decisão de Teori Zavaski, de manter presos o senador Delcídio do Amaral e o banqueiro André Esteves. Quando Teori concedeu o habeas corpus a Esteves, significa então que o crime venceu?

***

Esse jogo demagógico, a busca do aplauso fácil, da consagração em torno de frases fáceis, tornou-se uma constante que não perdoa sequer Ministros do Supremo. E o oportunismo dos jornais, de abrir espaço para qualquer asneira, praticamente matou os filtros que poderiam permitir um mínimo de racionalidade nas discussões políticas e econômicas.

O que tem de procuradores, delegados, dizendo o que os jornais querem, para fazer jus a uma manchete ou a uma premiação futura, e posar para a foto com os prêmios, que colocarão em suas salas de visitas, tornou a discussão institucional brasileira um pregão de feira livre, com donas de casa alvoroçadas disputando a xepa.

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Do seu lado, a presidente só se pronuncia quando julga que alguma crítica ou decisão atinge sua augusta autoridade pessoal. Não se vê como poder institucional, como responsável pela condução do país.

País de provincianos, sem um mínimo de noção de bem público. Quando se compara com a qualidade dos homens públicos dos anos 50, dá um desânimo enorme.

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A segunda tendência se firmando é que há espaço para que o governo Dilma apresente uma proposta minimamente viável de condução do país.

Nas próximas semanas se saberá se esse vácuo aberto pela oposição será preenchido com um mínimo de protagonismo do governo

sábado, 5 de dezembro de 2015

Colunista
14/10/2015 - Copyleft
Laurindo Lalo Leal Filho

A barbárie no ar: as TVs brasileiras e o estímulo à violência

O fato de se apresentarem como 'jornalísticos' faz com que escapem da classificação indicativa, oferecendo às crianças e jovens um festival de ódio e violência.



Artigo publicado na Revista do Brasil, edição de outubro de 2015
 
 São exatamente 1936 violações de direitos cometidas em um mês no rádio e na TV, por apenas 30 programas. 
 
 Os autores dessa façanha não são os personagens, geralmente negros e pobres, apresentados com estardalhaço diariamente pelos programas policialescos. 
 
 São os próprios apresentadores, em conluio com repórteres e produtores, além de determinadas autoridades, sob o comando dos dirigentes das emissoras que abrem espaços para essas aberrações.
 
 A constatação está numa pesquisa realizada pela Andi – Comunicação e Direitos, uma organização social que há 21 anos trabalha para dar visibilidade na mídia a questões relacionadas aos direitos das crianças e dos adolescentes. Entre outras ações criou o projeto “Jornalista Amigo das Crianças” que já reconheceu com essa qualidade 392 profissionais em atuação no país. 
 
 Os chamados programas policialescos entraram na mira da Andi diante das seguidas violações cometidas contra os direitos da infância e do adolescente. 
 
 Realizada a pesquisa constatou-se que as violações, em nove categorias de direitos, vão muito além dessas faixas etárias atingindo toda a sociedade.
 
 Exemplos não faltam. 
 
 A presunção de inocência, uma das categorias selecionadas pela pesquisa, é constantemente violada. 
 
 No programa Balanço Geral da TV Record, uma chamada diz “Pai abandona filho em estrada do RS” e o apresentador acrescenta “um pai abandonou uma criança nas margens de uma rodovia? Fez!”.
 
  Apesar do desmentido do pai, a acusação constitui um claro desrespeito à presunção de inocência, garantida no artigo 5º da Constituição brasileira.
 
 O estímulo à violência como forma de resolver conflitos é outra marca desses programas. 
 
 Como neste exemplo pinçado pela pesquisa na Rádio Barra do Pirai AM, programa Repórter Policial. 
 
 Uma pessoa acaba de ser presa pela policia e o apresentador anuncia “Então, a praga acabou de ser grampeada. Não seria o caso, né? Passa logo fogo num cara desse ai! (...) Então, é uma pena que ele não reagiu, porque a rapaziada passaria fogo nele de uma vez e ‘tava’ tudo certo”. 
 
 Só nesse caso são violadas cinco leis brasileiras, cinco acordos internacionais firmados pelo Brasil e um código de ética profissional. 
 
 Entre elas a Constituição Federal (“não haverá pena de morte...”), o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão (é considerada infração ao regulamento “incitar a desobediência às leis ou às decisões judiciárias” e “criar situação que possa resultar em perigo de vida”) e o Código de Ética dos Jornalistas Profissionais (“O jornalista não pode usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime”).
 
 Outra categoria: discurso de ódio e preconceito. 
 
 No programa Brasil Urgente, da Rede Bandeirantes, o apresentador José Luiz Datena faz enquete para saber quem acredita em Deus e diz: “...ateu eu não quero assistindo o meu programa. Ah mas você não é democrático. Nesta questão não sou não, porque um sujeito que é ateu, na minha modesta opinião não tem limites, é por isso que a gente tem esses crimes por ai...”.
 
 Só com essas frases o apresentador violou seis leis brasileiras, três pactos multilaterais firmados pelo Brasil e mais uma vez o Código de Ética dos Jornalistas, além de desrespeitar princípios e declarações internacionais de defesa da liberdade de expressão. 
 
 E ainda ignorar os muitos crimes de Estado, guerras e outras violências que foram cometidos ao longo da história, e ainda o são, em nome de supostas causas religiosas.
 
 O fato de se apresentarem como “jornalísticos” faz com que esses programas escapem da classificação indicativa de horários para determinadas faixas etárias do público telespectador. 
 
 Passam a qualquer hora oferecendo às crianças e jovens um festival de ódio e violência. 
 
 Na verdade, de jornalismo têm pouco. 
 
 São programas de variedades, espetacularizando fatos dramáticos da vida real com tentativas até de fazer um tipo grotesco de humor. 
 
 Numa edição gaúcha do programa Balanço Geral, por exemplo, o apresentador Alexandre Mota ao narrar a morte de um suspeito pela policia fingia chorar copiosamente clamando, de forma irônica, pela vinda dos defensores dos direitos humanos. 
 
 Em seguida, estimulado por uma repórter passa a sambar alegremente diante das câmeras. 


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Queridos e extraordinários amigos da Avaaz,

Conseguimos! Apesar da proibição do que seria uma grande marcha em Paris, ainda assim quebramos o recorde do ano passado e fizemos a maior mobilização pelo clima da história! De São Paulo a Sidney, 785 mil pessoas fizeram o chão tremer em mais de 2.300 eventos em 175 países. Todos unidos em uma só voz, exigindo um futuro com energia 100% limpa para salvarmos tudo o que amamos. Estamos nas capas dos jornais no mundo todo e já podemos sentir o impacto na Conferência de Paris.

É quase impossível descrever a força e a beleza do que criamos, mas essas fotos nos ajudam a entender um pouco como foi:

Londres, Reino Unido
Este é o movimento que nosso planeta estava esperando.Muitos países, como Bangladesh e Irlanda, testemunharam as maiores mobilizações pelo clima de suas histórias. Na Austrália, 120 mil pessoas foram às ruas. Na Índia, 100 mil. Em Sanaa, no Iêmen, as pessoas saíram às ruas mesmo com bombardeios acontecendo por perto.

A partir do canto superior esquerdo, em sentido horário: Melbourne, Helsinki, Berlim, Jacarta, Bogotá, Amsterdã

Na França, mobilizações que reuniriam mais de 500 mil pessoas foram canceladas por questões de segurança, mas membros e a equipe da Avaaz reuniram mais de 10 mil pares de sapato, como símbolo das pessoas que gostariam de estar nas ruas – até o Papa e o secretário-geral da ONU doaram seus pares! Os calçados foram colocados na Place de la Republique, em Paris, às vésperas da Conferência do Clima.


As mobilizações tiveram grande cobertura jornalística, aparecendo em centenas de grandes veículos de comunicação e virando manchete da Al Jazeera e do New York Times.

O representante do Papa Francisco afirmou: "Hoje, o Papa está em espírito com centenas de milhares de pessoas, de mãos dadas com os pobres e com aqueles que buscam um tratamento justo quanto aos efeitos climáticos."

Em seu discurso para os líderes mundiais na manhã de hoje, Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, reforçou: “Os povos do mundo também estão tomando a iniciativa. Eles foram às ruas de cidades ao redor do mundo todo, organizaram mobilizações enormes pedindo por mudanças… e esperam que cada um de vocês responda à altura. A História pede ação.”

E Christiana Figueres, chefe das negociações do clima da ONU, nos agradeceu e anunciou: "Estou colaborando com a Avaaz na instalação de um telão para que a voz do povo seja ouvida. Todos os negociadores poderão ver o quão forte é o apoio a um acordo sobre o clima que proteja nosso planeta, a casa de todos nós."

Clique para ver mais imagens do dia e mensagens de quem estava lá

Hoje começa a Conferência do Clima. Durante anos, os políticos nos disseram: “Prove que as pessoas se importam e então tomaremos uma atitude". No fim de semana, mostramos a eles que o mundo inteiro quer um acordo por energia 100% limpa. E agora, um vídeo em que fazemos essa exigência está sendo exibido enquanto os chefes de Estado entram no prédio da conferência. É impossível que nos ignorem, ou que ignorem nosso apelo: a equipe da Avaaz está na conferência e levará nossas vozes aos negociadores sempre que alguém tentar enfraquecer o acordo.

Neste fim de semana, nosso movimento alcançou outro nível. Nas próximas duas semanas, vamos continuar mostrando essa força sempre que for necessário. Vamos manter a bandeira da esperança hasteada e sacudir a conferência até chegarmos a um acordo que proteja nosso futuro.

Um abraço com muita gratidão e determinação,

Emma, Alice, Luis, Ricken, Ben, Mais, Dan e toda a equipe da Avaaz

PS: Clique aqui para ler o editorial que o Ricken escreveu sobre este momento e sobre como ele representa um teste para toda humanidade (em inglês).

Milhares de membros da Avaaz enviaram fotos e vídeos sensacionais dos eventos ocorrendo em todo o mundo. Pelas próximas duas semanas, essas imagens serão projetadas em um telão na conferência, que será visto pelos governantes e negociadores todas as vezes em que entrarem e saírem do prédio.